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Mulher de Alexandre de Moraes enviou contrato de R$ 129 milhões diretamente a Daniel Vorcaro, revelam diálogos e documentos apreendidos

Vorcaro chegou a admitir que o acordo tinha como objetivo aproximá-lo do ministro.

Redação Portal DPE

02 de jul de 2026

Mulher de Alexandre de Moraes enviou contrato de R$ 129 milhões diretamente a Daniel Vorcaro, revelam diálogos e documentos apreendidos

A revelação, divulgada por veículos de imprensa a partir de evidências da Polícia Federal, intensifica o debate sobre conflito de interesses envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada no contexto do Caso Banco Master, a PF apreendeu o celular e arquivos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Nos materiais, foram encontrados diálogos e uma minuta de contrato enviada diretamente por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Detalhes do contrato

Em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados — comandado por Viviane e com participação dos filhos do casal — assinou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master (36 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões).

O objeto do contrato previa assessoria estratégica, consultiva e contenciosa perante o Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. - Diálogos apreendidos mostram que Viviane enviou o contrato diretamente a Vorcaro. O banco efetuou pagamentos parciais de cerca de R$ 80 milhões antes de ser liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, em novembro de 2025.

Em proposta de delação premiada (rejeitada pela PF), Vorcaro mencionou uma minuta de novo contrato de R$ 50 milhões, firmado em 2025, para quitar o saldo remanescente. O escritório afirma que esse segundo acordo não foi assinado nem executado. Esses elementos — o envio direto do contrato e os diálogos trocados — estão no centro da polêmica, pois sugerem uma proximidade excessiva entre a família do ministro e o banqueiro investigado por fraudes bilionárias.

Por que isso reforça o argumento de que Alexandre de Moraes não pode julgar casos relacionados?

O caso levanta questões concretas de impedimento e suspeição, com base no Código de Processo Penal (CPP) e no Código de Processo Civil (CPC): Interesse direto da família (art. 252, IV, do CPP e art. 145 do CPC) O juiz fica impedido de atuar quando ele próprio, seu cônjuge ou parente é “diretamente interessado” no feito. Críticos sustentam que o volumoso contrato firmado pela esposa configura benefício econômico familiar, especialmente com o envio direto da minuta e os diálogos mantidos. Vorcaro chegou a admitir que o acordo tinha como objetivo aproximá-lo do ministro.

Parcialidade

Mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes (inclusive no dia da prisão do banqueiro, quando o empresário pediu para “bloquear” algo) somadas ao contrato da família geram dúvida razoável sobre a imparcialidade. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e o CPC exigem que o magistrado esteja livre de qualquer aparência de favorecimento.

Caso o STF ou o próprio ministro venham a atuar em recursos, delações ou ações relacionadas ao Banco Master, a relação familiar direta comprometeria a lisura e a credibilidade do julgamento.

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