
Você conhece o ditado: “a história é escrita pelos vencedores”. Mas e quando o vencedor é um monstro ideológico? Um predador? Um assassino em série vestido de idealismo revolucionário? Estamos falando de Josef Stálin — o “homem forte mantenedor dos Gulags”, líder comunista da União Soviética, responsável direto por um dos maiores banhos de sangue do século XX.

Comunista convicto, Stálin liderou um regime totalitário que assassinou milhões de russos, perseguiu minorias étnicas, intelectuais, religiosos e, de forma brutal e planejada, exterminou milhões de ucranianos no Holodomor — uma fome induzida entre 1932 e 1933, comparável aos campos de extermínio de Hitler.
Sim, porque comunismo e nazismo não são opostos: são ideologias semelhantes no método, embora diferentes no discurso. Ambas criaram máquinas estatais de terror, censura, culto à personalidade, extermínio em massa e destruição da liberdade individual.
Mas esta não é apenas a história de um genocida travestido de estadista. É também a história de uma menina de 13 anos que, em pleno degelo siberiano, tornou-se vítima de algo ainda mais íntimo, brutal e covarde: o abuso sexual.
O ano era 1914. O local: Kureika, aldeia remota na Sibéria. População: 67 almas. Uma delas, Lídia Pereprygina. Órfã. Adolescente. Invisível. Ali também estava Stálin — ou Koba, como era conhecido — exilado pelo regime czarista. Um revolucionário em formação, portador de ideias “libertadoras”, mas de conduta perversa.

Segundo o historiador Simon Sebag Montefiore, em O Jovem Stálin, e conforme documentos do Arquivo Serov, abertos em 2007, Stálin estuprou Lídia, então com 13 anos, engravidando-a duas vezes. A primeira criança nasceu morta. A segunda, Alexander, sobreviveu — mas foi abandonado pelo pai, que nunca o reconheceu.
Quando um guarda local, Ivan Laletin, confrontou o revolucionário comunista sobre o crime, foi agredido por Koba. A família da menina esperava um casamento que jamais veio. Lídia calou-se. Casou-se anos depois com um pescador, teve filhos, tornou-se cabeleireira. Morreu anônima, apagada da história oficial.
Stálin, por outro lado, voltou à Rússia como herói da revolução comunista, liderou a Revolução de Outubro, chegou ao poder absoluto e implantou um regime de terror: fuzilamentos em massa, perseguições políticas, campos de trabalho forçado (Gulags) e o já citado Holodomor, a fome planejada que matou milhões de ucranianos. Seu legado? Um oceano de sangue em nome do marxismo-leninismo.
Enquanto Hitler exterminava judeus, Stálin exterminava ucranianos e russos. O primeiro em nome da raça, o segundo em nome da classe. Duas ideologias totalitárias unidas pela lógica do extermínio.
Em 1956, a KGB confirmou a história do estupro de Lídia. O Politburo leu. Molotov sabia. E silenciaram. O arquivo foi enterrado, como tantas outras vidas.

Décadas depois, Simon Montefiore expôs o caso ao mundo. Mas o mundo já estava anestesiado. Muitos ainda veem Stálin como um “grande líder”. Ainda há quem defenda sua imagem, pinte seus murais ou cite suas frases. Ainda há quem ensine que o comunismo é nobre — bastaria “ser bem aplicado”.
Mas não foi nobre. Foi crime. Foi abuso. Foi tirania. Stálin não foi apenas um ditador: foi um estuprador de menores e um genocida. Seu comunismo matou tanto quanto o nazismo. O que muda é o uniforme e o slogan.

E Lídia Pereprygina, a menina esquecida da Sibéria, permanece como símbolo do que toda ideologia totalitária faz: destrói vidas em nome de utopias.