
O YouTube, plataforma de vídeos pertencente ao Google, anunciou na segunda-feira (22 de julho) a remoção de quase 11 mil canais e outras contas associadas a campanhas de propaganda vinculadas a estados e grupos terroristas, incluindo China, Rússia, Irã, Hamas e Houthis. A ação, que faz parte do segundo trimestre de 2025, incluiu a exclusão de mais de 7 mil canais ligados à China e cerca de 2 mil associados à Rússia, além de outras contas relacionadas a influenciadores pagos e conteúdo falso.
De acordo com o relatório da Google Threat Analysis Group, as campanhas removidas estavam envolvidas em atividades de desinformação coordenada, promovendo narrativas pró-governo e, em alguns casos, incitando violência. Entre os alvos está a rede RT (Russia Today), veículo de mídia estatal russo acusado de financiar influenciadores conservadores para disseminar conteúdo pró-Kremlin, especialmente antes das eleições de 2024. A remoção também atingiu contas de blog e anúncios vinculados à RT, reforçando os esforços do Google para combater a manipulação online.
Contexto e Impacto
A decisão do YouTube ocorre em um momento de crescente preocupação com a influência de atores estatais nas redes sociais. A China, por exemplo, utilizava os canais apagados para divulgar conteúdo em chinês e inglês, exaltando o presidente Xi Jinping e comentando assuntos de política externa dos Estados Unidos. Já a Rússia focava em narrativas que apoiam suas ações geopolíticas, como o conflito na Ucrânia, que intensificou o escrutínio sobre a RT desde 2022.
Essa não é a primeira ação do gênero: no primeiro trimestre de 2025, o Google já havia removido mais de 9 mil contas por comportamento inautêntico coordenado. O mais recente relatório da Threat Analysis Group aponta um aumento de 30% nas atividades de desinformação patrocinada por estados nos últimos 12 meses, refletindo a escalada de tensões globais. Nos Estados Unidos, autoridades como a CISA (Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança) alertaram sobre ciberataques chineses, incluindo a campanha “Volt Typhoon”, que comprometeu infraestruturas críticas americanas.
Escalada de Propaganda Online
Além de China e Rússia, o Irã e grupos como o Hamas intensificaram suas campanhas de propaganda desde meados de 2024. Relatórios recentes, como os do Instituto para o Diálogo Estratégico, indicam que contas iranianas no Facebook e no X têm disseminado conteúdo que glorifica crimes de guerra e incita ataques contra civis israelenses. Essa tendência foi amplificada por bots e perfis falsos, especialmente após o conflito de outubro de 2023, quando narrativas pró-Hamas ganharam força em plataformas como Telegram.
Próximos Passos
O Google afirma que a remoção faz parte de um esforço contínuo para proteger a integridade da plataforma, mas especialistas sugerem que outras redes, como o X, também precisam agir contra perfis falsos, especialmente os ligados à Rússia. Com o aumento das tensões geopolíticas e da guerra cibernética, a regulação de conteúdo online deve se tornar ainda mais rigorosa nos próximos meses.