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China, Brasil e PCC: Empresa brasileira Victory Trading, sancionada pelos EUA por ligações com o PCC, atuava como "banco invisível" para movimentações financeiras

O caso destaca a cooperação internacional contra o PCC

Redação Portal DPE

22 de jul de 2026

China, Brasil e PCC: Empresa brasileira Victory Trading, sancionada pelos EUA por ligações com o PCC, atuava como "banco invisível" para movimentações financeiras

Uma das empresas sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) operava como uma espécie de casa de câmbio ou "banco invisível" para escoar recursos, incluindo fortunas de chineses no Brasil, segundo reportagens recentes. Trata-se da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., sediada em São Paulo.

Sanções dos EUA

Em 1º de julho de 2026, o governo americano impôs sanções a dois brasileiros e quatro empresas (três no Brasil e uma em Portugal) por integrarem uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. O principal alvo é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory Trading, descrito como "elo fundamental" entre agentes do PCC na Flórida (EUA) e traficantes estrangeiros.

De acordo com o Tesouro dos EUA:

A rede lavou mais de US$ 30 milhões em lucros do narcotráfico nos EUA, usando criptomoedas para transferir fundos ao Brasil em nome do PCC.

Shimada e sua sócia/parente Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira lideravam o núcleo em São Paulo.

Outras empresas sancionadas: Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. (Portugal).

As sanções bloqueiam bens nos EUA e proíbem transações com cidadãos ou empresas americanas. É uma das primeiras ações após o PCC ser classificado como organização terrorista.

Conexões com investigações no Brasil

A Victory Trading aparece em investigações brasileiras, incluindo o escândalo de patrocínio da Vai de Bet no Corinthians. A empresa teria atuado como intermediária para lavar recursos desviados do clube em um esquema de fraude publicitária. Shimada chegou a ser preso em regime domiciliar em janeiro de 2025.

Documentos revelam que a firma recebia grandes volumes (ex.: R$ 514 milhões de uma empresa ligada a fraudes contra aposentados) e transferia recursos para outras investigadas, funcionando como "conta de passagem" para ocultar origens. Há menções a pagamentos a policiais militares para segurança de "VIPs" e movimentações atípicas.

Empresas como Victory Trading e Pixwave não possuem registro no Banco Central como instituições financeiras, apesar de serem tratadas como prestadoras de serviços financeiros pela acusação americana.

Defesa

A defesa de Victor Shimada nega qualquer envolvimento com o PCC ou lavagem de dinheiro. Afirma não ter tido acesso aos documentos das sanções e que o caso será analisado judicialmente.

O caso destaca a cooperação internacional contra o PCC, que se expandiu como uma das maiores organizações criminosas transnacionais. Investigadores brasileiros (Polícia Civil, PF) atuam em paralelo com autoridades americanas (FBI). 


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