Crise comercial dupla expõe fracassos do governo Lula em 2026
Fracasso em duas frentes: dependência e falta de prevenção
Redação Portal DPE
28 de jul de 2026

Em um mesmo dia simbólico — 22 de julho de 2026 —, o Brasil enfrenta barreiras comerciais significativas de seus dois principais parceiros: a China, maior comprador de carne bovina brasileira, e os Estados Unidos, importante destino de exportações industriais e agrícolas. As medidas destacam a dependência excessiva de mercados concentrados e as dificuldades de negociação do governo Lula, que não conseguiu prevenir ou mitigar impactos em nenhuma das frentes.
Tarifaço chinês na carne bovina: cota esgotada e perdas bilionárias
Desde 1º de janeiro de 2026, a China aplica um regime de cotas para proteger sua pecuária local. Para o Brasil, a cota anual é de 1,106 milhão de toneladas com tarifa normal de 12%. Volumes acima disso enfrentam sobretaxa adicional de 55% (totalizando ~67%). A restrição vale até 2028, com cotas crescentes, mas ainda limitadas.
O Brasil exportou recordes de 1,5–1,7 milhão de toneladas para a China em 2025 (cerca de 45–55% das exportações totais de carne bovina, faturamento próximo a US$ 8–9 bilhões). Em 2026, a cota foi esgotada precocemente — com volumes já próximos ou excedidos no meio do ano, considerando cargas de 2025 em trânsito. Frigoríficos paralisaram linhas, concederam férias coletivas e enfrentam ociosidade. A Abrafrigo/Abiec estima perdas de até US$ 3–4,5 bilhões só em 2026.
O governo Lula minimizou inicialmente o risco, apostando na diversificação (abertura de 20 mercados). No entanto, a dependência da China persiste, e negociações para realocação de cotas não utilizadas avançam lentamente. O senador Flávio Bolsonaro criticou a falta de prevenção e negociação mais assertiva.
Tarifas americanas de 25% (Seção 301): amplo impacto industrial
No mesmo 22 de julho de 2026, entrou em vigor tarifa adicional de 25% dos EUA sobre a maioria das importações brasileiras ( aproximadamente 3 mil produtos, afetando US$ 7–11 bilhões em exportações, ou 18–26% do total para os EUA). Motivos citados na investigação de um ano: práticas em comércio digital/Pix, tarifas preferenciais, IP, etanol, anticorrupção e desmatamento ilegal.
Exceções preservam itens sensíveis (carne bovina, café, laranja/suco, Embraer, petróleo/gás, farmacêuticos). Ainda assim, afetam máquinas agrícolas, madeira, vestuário, plásticos, calçados etc. Uma possível adição de 12,5% (trabalho forçado) pode elevar para 37,5% em alguns casos.
O governo Lula prometeu reciprocidade via lei de 2025, mas analistas apontam limitação: EUA têm superávit com o Brasil, e retaliação pode piorar exportações já em queda (–13% no ano) e cadeias integradas.
Fracasso em duas frentes: dependência e falta de prevenção
O governo Lula enfrenta críticas por não antecipar ou negociar melhor esses cenários, apesar de alertas prévios. Na China, o “tarifaço” expõe vulnerabilidade do agronegócio à concentração (China como parceiro dominante). Nos EUA, acusações de interferência política e insuficiente avanço em reformas (ambiental, digital, IP) contribuíram para a escalada.
Reações incluem busca por diversificação (Ásia, EUA alternativos), diálogo diplomático e realocação de cotas. No entanto, impactos imediatos — plantas ociosas, empregos ameaçados e contração comercial — revelam os custos de uma estratégia que priorizou parcerias ideológicas sem blindagem suficiente contra protecionismo alheio. O agronegócio e exportadores de SC, SP, RS e outros estados sentem os efeitos diretos, em meio a tensões globais.
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