Dinheiro público bancou viagem de ao menos 135 servidores para o 'Gilmarpalooza' em Lisboa
O encontro, apelidado informalmente de "Gilmarpalooza", ocorreu entre 1 e 3 de junho em Portugal
Redação Portal DPE
09 de jun de 2026
O contribuinte brasileiro custeou passagens aéreas e diárias de pelo menos 135 autoridades e servidores públicos para o 14º Fórum Jurídico de Lisboa, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e capitaneado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O encontro, apelidado informalmente de "Gilmarpalooza", ocorreu entre 1º e 3 de junho em Portugal.
Ao menos 54 repartições dos três Poderes autorizaram a participação de servidores com recursos públicos. Apenas dois órgãos já reservaram R$ 692 mil só em diárias internacionais.
Principais gastos identificados
- Tribunal de Justiça do Piauí: Envia comitiva de 13 integrantes e reservou R$ 392 mil em diárias.
- Tribunal de Contas da União (TCU): Autorizou 13 representantes (incluindo quatro ministros) com custo estimado de R$ 300 mil.
Outros destaques:
- A Advocacia-Geral da União (AGU) lidera o ranking na Esplanada, com 22 autorizações de viagem. Parte da cúpula terá despesas integral ou parcialmente custeadas pelo poder público.
- O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), viaja com comitiva de oito pessoas — incluindo a primeira-dama Karynne Sotero Campos, com passagens pagas pelo Estado.
- Pelo menos quatro senadores pediram dispensa dos trabalhos em Brasília para "missão oficial internacional".
- O ex-presidente Michel Temer levará dois seguranças particulares com recursos públicos.
Evento e controvérsias
O Fórum de Lisboa reúne magistrados, políticos, empresários e juristas para debates sobre temas como "Nova ordem internacional, tecnologia e soberania". Gilmar Mendes, sócio-fundador do IDP, tem defendido o caráter acadêmico do encontro e feito convites diretos a magistrados nos últimos dias para garantir presença robusta, em meio a críticas sobre transparência, possíveis conflitos de interesse e o alto custo para os cofres públicos.
A organização do evento afirma que cada instituição decide de forma independente sobre o uso de verbas de viagem e que o simpósio atende aos princípios da administração pública.
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