Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem declarações desmentidas por operações da própria corporação
Não é a primeira vez que afirmações de Andrei Rodrigues são contrariadas por fatos posteriores
Redação Portal DPE
22 de jul de 2026

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, voltou a ser alvo de críticas após uma operação da PF desmentir, na prática, declaração feita por ele apenas dois dias antes. A Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira, prendeu alvos sancionados pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), contrariando posicionamento recente do chefe da instituição.
Operação Exchange expõe contradição
Na quarta-feira (1º), ao comentar as sanções americanas contra Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, Rodrigues negou que os investigados tivessem ligação com o PCC. Hoje, a PF realizou 11 mandados de prisão temporária (sete cumpridos) e 13 de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos.
Stella Stefanie foi presa. Victor Shimada, conhecido como “o Japa”, está foragido. Segundo os EUA, ele seria o “elo-chave” entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais, atuando na lavagem de dezenas de milhões de dólares via criptomoedas. A PF investiga o grupo por lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, associação criminosa e evasão de divisas.
A operação reacendeu críticas de que o diretor-geral da PF tem atuado mais como porta-voz do governo do que como autoridade técnica independente.
Histórico de declarações contestadas
Não é a primeira vez que afirmações de Andrei Rodrigues são contrariadas por fatos posteriores:
Caso Ramagem (abril 2026): Rodrigues afirmou que a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos foi “coordenada” entre Brasil e EUA. Autoridades americanas negaram coordenação formal, gerando questionamentos sobre a versão inicial da PF.
Megaoperação no Rio de Janeiro (outubro 2025): Durante coletiva, o diretor confirmou comunicação prévia da Polícia Militar do RJ com a PF sobre uma grande ação. O governo federal inicialmente negou comunicação formal, e o então ministro da Justiça interrompeu Rodrigues ao vivo. Posteriormente, ele explicou que a PF avaliou não participar por falta de atribuição legal.
Críticos, incluindo jornalistas e parlamentares da oposição, apontam um padrão de declarações que minimizam ou antecipam narrativas alinhadas ao Palácio do Planalto, seguidas de desmentidos práticos por ações da própria PF.
Até o momento, a PF e o diretor-geral não se manifestaram sobre a contradição apontada na Operação Exchange. A defesa de Victor Shimada informou que só se pronunciará após acesso aos autos e nega envolvimento com organização criminosa.
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