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Governo Lula rebaixa relações diplomáticas com a Argentina. Buenos Aires reage e acusa isolamento ideológico

Brasil e Argentina são os principais parceiros comerciais e políticos da América do Sul e membros centrais do Mercosul

Redação Portal DPE

06 de ago de 2026

Governo Lula rebaixa relações diplomáticas com a Argentina. Buenos Aires reage e acusa isolamento ideológico

O governo brasileiro rebaixou, na terça-feira (4 de agosto de 2026), o nível das relações diplomáticas com a Argentina para o de encarregado de negócios. A medida, inédita nas últimas décadas entre os dois países, ocorre após críticas do presidente argentino Javier Milei ao presidente Lula da Silva.

O Itamaraty comunicou a decisão ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, convocando-o e solicitando seu retorno a Buenos Aires. O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, que já havia sido chamado de volta para consultas no final de julho, não retornará enquanto persistirem os ataques. As embaixadas continuam funcionando, mas sem chefes de missão no nível de embaixador.

A Chancelaria argentina divulgou nota em que “toma nota da decisão adotada unilateralmente” pelo Brasil e lamenta que o país “continue isolando-se do resto da região por questões puramente ideológicas”.

O texto destaca que, nos últimos anos, houve “numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados” entre dirigentes dos dois países, mas a Argentina “optou por não os transformar num incidente diplomático” e “nunca respondeu a uma diferença política com uma medida institucional”.

A nota conclui reafirmando que as relações entre Estados devem atender aos interesses permanentes dos povos, e não às necessidades políticas ou pessoais dos governantes de turno. A política exterior argentina, segundo o comunicado, seguirá guiada pela defesa do interesse nacional, da soberania e do mandato popular.

Brasil e Argentina são os principais parceiros comerciais e políticos da América do Sul e membros centrais do Mercosul. Os presidentes Lula e Milei não realizaram reunião bilateral oficial desde a posse do argentino, em dezembro de 2023. A crise atual é considerada uma das mais graves das últimas décadas no relacionamento bilateral.

A decisão brasileira formaliza o esfriamento das relações, mas deixa aberta a possibilidade de normalização caso cesse o tom ofensivo. 


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