NotíciasBrasil
3 min de leitura

Lindbergh contra a classificação de PCC e CV como grupos terroristas

Priorizar a defesa das finanças dessas organizações em detrimento da proteção aos cidadãos expõe uma desonestidade intelectual

Redação Portal DPE

29 de mai de 2026

Lindbergh contra a classificação de PCC e CV como grupos terroristas

O deputado federal esquerdista Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara, criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano em 28 de maio de 2026, entra em vigor como designação plena em 5 de junho.

Segundo o comunicado oficial, o PCC e o CV figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com redes transnacionais de tráfico de drogas que se estendem pela América Latina, Europa e Estados Unidos. A classificação permite o congelamento de ativos, sanções financeiras e maior cooperação internacional para interromper o fluxo de recursos que financiam essas facções.

Em vídeo e declarações nas redes sociais, Lindbergh Farias afirmou que a decisão representa "um ataque brutal à nossa soberania", com "consequências negativas para a economia brasileira, os investimentos estrangeiros" e risco de "intervenção externa". Ele atribuiu a medida a articulações políticas dos deputados Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump.

Essa posição revela seu raciocínio: Enquanto milhões de brasileiros convivem com a violência imposta por essas facções — assaltos, controle territorial em favelas, corrupção de presídios e expansão do narcotráfico —, o deputado concentra críticas na ação legítima de um governo estrangeiro soberano. Os EUA têm plena autoridade para designar grupos que ameaçam sua segurança nacional, inclusive por meio de sanções que asfixiam o "caixa" do crime organizado, independentemente de preferências políticas em Brasília.

A soberania brasileira não é violada pela decisão americana: trata-se de política interna dos EUA, que afeta transações financeiras e relações internacionais conforme suas leis. Reclamar dela equivale a tentar interferir na vontade do povo e do governo americano, invertendo a lógica de não ingerência. O argumento de que o governo Lula já "combate o andar de cima" do crime não anula o impacto real das facções sobre a população, que vive refém da insegurança diária. A designação americana alinha-se a esforços globais contra o narcoterrorismo e reforça pressão sobre estruturas criminosas que transcendem fronteiras. Priorizar a defesa das finanças dessas organizações em detrimento da proteção aos cidadãos expõe uma desonestidade intelectual: o foco não recai sobre as vítimas do PCC e do CV, mas sobre entraves à leniência ou sobre narrativas políticas domésticas. O Brasil enfrenta uma escolha clara entre alinhamento com o Estado de Direito e combate efetivo ao crime ou a defesa retórica de interesses que perpetuam a violência.

Compartilhe este artigo