Lulinha é alvo de três inquéritos no STF por suspeitas de tráfico de influência
Lulinha já havia sido citado em apurações da Operação Sem Desconto por causa de relações com o “Careca do INSS” e Roberta Luchsinger (incluindo viagens e mensagens)
Redação Portal DPE
06 de ago de 2026

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornou-se alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde o final de julho de 2026. As apurações, pedidas pela Polícia Federal (PF), investigam suspeitas de tráfico de influência e, em alguns casos, corrupção, relacionadas a possíveis favores a interesses privados em órgãos do governo federal. A defesa nega irregularidades e classifica as investigações como politicamente motivadas.
Os casos surgiram como desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em descontos indevidos de aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a PF, as novas frentes não tratam diretamente dos desvios previdenciários, mas de indícios de atuação de Lulinha e de pessoas próximas a ele em negócios com o poder público.
Os três inquéritos
1. Ministério da Saúde e cannabis medicinal
Autorizado em 30 de julho pelo ministro André Mendonça. A PF apura se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” (apontado como um dos principais operadores do esquema de fraudes no INSS), em negociações ligadas à comercialização de cannabis medicinal. Entram na mira contatos com servidores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial, além da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que teria prestado consultoria na área.
2. Dataprev e contratos de tecnologia
Autorizado em 31 de julho, também por Mendonça. A investigação busca esclarecer se Lulinha usou sua influência para beneficiar empresários interessados em contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), responsável pela gestão de dados sociais do governo, e outros órgãos. Fontes apontam ligação com a empresa 3Structure IT e com o empresário Cléber Ribas de Oliveira, que teria bancado viagens de Lulinha.
3. Atuação em órgãos federais e empresas parceiras
Autorizado em 4 de agosto pelo ministro Flávio Dino. A PF suspeita de tráfico de influência para favorecer empresas parceiras (incluindo menções à 3Structure IT) em negócios ilícitos em áreas do governo federal. Na mesma decisão, Dino determinou a abertura de uma apuração sobre vazamento de informações sigilosas relacionadas aos inquéritos — pedido que também havia sido feito pela defesa de Lulinha.
Mendonça é relator dos dois primeiros inquéritos; Dino, do terceiro. Os processos tramitam em sigilo.
Lulinha já havia sido citado em apurações da Operação Sem Desconto por causa de relações com o “Careca do INSS” e Roberta Luchsinger (incluindo viagens e mensagens). Há também menções a transferências financeiras envolvendo a empresária e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (“Marcola”), que afirmou tratar-se de empréstimo já quitado.
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