“Milícias digitais alexandrinas” em defesa de Moraes
Colunista Flávio Gordon aponta a questão
Redação Portal DPE
17 de set de 2026

O antropólogo e colunista Flávio Gordon criticou na segunda-feira (14) o que chamou de “milícias digitais alexandrinas”, afirmando que a defesa do ministro Alexandre de Moraes envolve jornalistas de veículos tradicionais.
Hugo Freitas, vice-presidente da Fundação de Estudos Jurídicos e colaborador da Gazeta do Povo, compartilhou trecho do artigo “Uma rede de desinformação para Moraes”, de Rodolfo Borges, publicado no domingo (13). No texto, o Antagonista acusa juristas, influenciadores e jornalistas de atuarem para “tumultuar o ambiente informacional” em defesa dos interesses de Moraes, no contexto da crise no STF envolvendo o caso Banco Master e o inquérito das fake news.
O artigo sugere que, se o presidente do STF, Edson Fachin, não encerrar logo o inquérito aberto em 2019, “talvez seja o caso de incluir entre os investigados essa rede de desinformação que apoia Moraes, e mesmo o próprio ministro”, que teria usado um relatório apócrifo da Polícia Federal para atacar o colega André Mendonça.
Gordon comentou: “O pior é que essas milícias digitais alexandrinas contam com muitos jornalistas de veículos como @JornalOGlobo, @folha, @Estadao, @Metropoles etc.”
Contexto da confusão no STF
A discussão ocorre após Fachin retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news, em 9 de setembro, e assumir o caso. A investigação, aberta de ofício em 2019 pelo então presidente Dias Toffoli e conduzida por Moraes por mais de sete anos, investiga notícias fraudulentas, ameaças e ataques contra ministros do Supremo. Fachin já defendeu publicamente o encerramento da apuração.
A tensão se intensificou com o embate entre Moraes e Mendonça. Moraes pediu a investigação do colega por supostos indícios de crimes na condução dos casos Banco Master e INSS. Fachin retirou esse pedido do inquérito das fake news. Relatórios da PF e mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e ministros do STF alimentaram a crise institucional.
O Antagonista afirma que os movimentos de Moraes e aliados no STF para “tumultuar” a investigação do caso Master são acompanhados por análises e acusações contra Mendonça nas redes e na imprensa, em comportamento semelhante ao que o próprio Moraes classificava como “redes de desinformação” quando relator do inquérito.
As acusações ocorrem em meio a desgastes na imagem do STF e à proximidade das eleições de 2026, com repercussão nas redes sociais dividida entre críticas à atuação de Fachin e de Mendonça.
O inquérito das fake news segue agora sob a presidência do STF, com atos anteriores de Moraes preservados e ações penais já com denúncia recebida mantidas sob sua relatoria. Fachin tem defendido também um código de ética para a Corte e modernização do sistema de Justiça.
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