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PF encontra mensagens de Lulinha com lobista ligada ao Careca do INSS: “Nosso futuro é Suíça”

Em outra mensagem, Roberta avisa Lulinha que Fernando Bittar estaria usando o nome dele para tentar fechar um “negócio gigante” na Telebras

Redação Portal DPE

28 de ago de 2026

PF encontra mensagens de Lulinha com lobista ligada ao Careca do INSS: “Nosso futuro é Suíça”

A Polícia Federal interceptou diálogos de WhatsApp entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha (filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), e a lobista Roberta Luchsinger. As conversas, obtidas com exclusividade pelo portal Metrópoles e divulgadas nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026) pelo jornalista Tácio Lorran, mostram que o filho do presidente não apenas sabia dos negócios da lobista, mas comentava, coordenava e participava de reuniões ligadas a interesses no governo federal.

O diálogo-chave de março de 2024

Em conversa de 22 de março de 2024, Roberta Luchsinger afirma a Lulinha que os dois atuam em “nível diferenciado” e declara: “Nosso futuro é Suíça”. Na mesma troca, Lulinha revela ter participado de três almoços com Marco Aurélio Santana Ribeiro (o Marcola), então chefe de gabinete-adjunto de Lula, e menciona encontros que deveriam ser “só entre nós”. A conversa cita também Swedenberger Barbosa (Berger), então secretário-executivo do Ministério da Saúde, e Fernando Bittar (ex-sócio de Lulinha e um dos proprietários formais do sítio de Atibaia).

Marcola, à época, despachava na antessala do presidente e mediava contatos com ministros. Berger, por sua vez, é apontado como quem facilitou o acesso do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS) ao Ministério da Saúde. O Careca tentava emplacar um contrato milionário de cannabis medicinal para o SUS e é investigado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos de aposentadorias e pensões (Operação Sem Desconto / “Farra do INSS”).

Repasses e a expressão “filho do rapaz”

Roberta Luchsinger recebeu repasses do Careca do INSS que somam cerca de R$ 1,5 milhão (empresa RL Consultoria e Intermediações). Em uma das transferências, o empresário informou a um interlocutor que o dinheiro se destinava ao “filho do rapaz” — expressão que, segundo a PF, pode se referir a Lulinha. A defesa do filho do presidente nega qualquer recebimento e irregularidade.

Em outra mensagem, Roberta avisa Lulinha que Fernando Bittar estaria usando o nome dele para tentar fechar um “negócio gigante” na Telebras. Lulinha pergunta se ela já desmentiu; ela responde que sim e que, se Bittar fizer o negócio, não fará com ela.

Joias para Marcola

Em diálogo de 29 de abril de 2024 (véspera do Dia das Mães), Roberta conversa com Marcola sobre a compra de joias de diamante (par de solitários e colar). A PF suspeita que os presentes e pagamentos de boletos visavam ampliar o acesso da lobista ao núcleo duro do governo. Interlocutores da defesa de Marcola afirmam que as joias custaram R$ 9,2 mil e faziam parte de um empréstimo de R$ 249 mil, já quitado com juros.

Posição das defesas

A defesa de Lulinha (advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori) afirma que ele mora na Espanha, atua na iniciativa privada sem relação com o governo brasileiro e vive “de forma digna, exclusiva e modesta”. Aponta que a quebra de sigilos bancário e fiscal não revelou irregularidades e acusa “instrumentalização de instituições por interesses políticos e eleitorais”, além de possível vazamento criminoso de mensagens sob sigilo. Pede apuração rigorosa a ministros do STF, ao ministro da Justiça e ao diretor-geral da PF.

A defesa de Roberta Luchsinger (advogado Roberto Podval) não comentou, citando o sigilo do inquérito. Anteriormente, a lobista disse à PF que apresentou Lulinha ao Careca em contexto social, prestou serviços legítimos de consultoria sobre regulação de canabidiol e não repassou valores ao filho do presidente.

As mensagens reforçam investigações já em curso sobre possível tráfico de influência envolvendo a proximidade de Roberta com Lulinha e o acesso ao governo. O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Lulinha não é formalmente indiciado nestas novas revelações, mas o material integra os autos sob análise da PF e do STF.

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