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Presidente da OAB Nacional recusa pautar pedido de afastamento de Moraes, Toffoli e Gonet, em descompasso com seccionais

Houve ainda racha interno. Simonetti tentou, em grupo de WhatsApp com presidentes de seccionais recuar no trecho da petição

Redação Portal DPE

17 de set de 2026

Presidente da OAB Nacional recusa pautar pedido de afastamento de Moraes, Toffoli e Gonet, em descompasso com seccionais

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, recusou incluir na pauta da sessão do Conselho Pleno o requerimento do conselheiro federal Marcelo Tostes de Castro Maia que pedia discussão sobre o afastamento cautelar dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O documento, protocolado em 9 de setembro de 2026, pedia que o tema entrasse na reunião presencial marcada para 14 ou 15 de setembro. Tostes também cobrava que a OAB voltasse a pressionar o STF pelo encerramento do Inquérito das Fake News. Simonetti respondeu que a Ordem continuará pedindo providências ao presidente do STF, Edson Fachin, e que aguardará o contraditório e o devido processo legal. “Não pautarei a questão sobre manifestação da OAB sobre afastamento de autoridades antes disso”, afirmou.

Na mesma semana, após reunião com os presidentes das 27 seccionais, a OAB Nacional descartou pedido de impeachment de Moraes e Toffoli ao Senado. Simonetti disse que “não será pedido nenhum afastamento até porque não existe processo instaurado ainda pelo Supremo Tribunal Federal” e que faltam elementos para sugerir ou apoiar impeachment. A entidade criou uma comissão para analisar a conduta dos ministros no caso Banco Master e protocolou petição pedindo acesso a documentos (inclusive sigilosos), arquivamento do Inquérito das Fake News e que Gonet se abstivesse de oficiar no caso específico das mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, por ter sido citado e intimado a prestar esclarecimentos.

Divergência com seccionais

A posição nacional contrasta com deliberações de seccionais. A OAB-PR, em nota oficial de 3 de setembro, defendeu o afastamento cautelar de Moraes até o fim da apuração e a suspeição de Gonet nos feitos do caso Master, pedindo sessão extraordinária do Conselho Federal. Argumentou que a gravidade dos fatos compromete a credibilidade da investigação enquanto os dois permanecem nas funções. A OAB-SP convocou reunião para tratar do mesmo tema. A OAB-DF aprovou o encaminhamento de pedidos de impeachment de Moraes e Toffoli ao Conselho Federal, além de apuração ampla e afastamento cautelar quando necessário.

Houve ainda racha interno. Simonetti tentou, em grupo de WhatsApp com presidentes de seccionais, recuar no trecho da petição que pedia o afastamento de Gonet do caso, alegando “dois pesos e duas medidas” e pedindo que acreditassem nele sem explicar o motivo. Parte das seccionais resistiu.

Contexto das irregularidades apontadas

O caso gira em torno do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal, com sigilo levantado por André Mendonça, recuperou mensagens de Vorcaro a Moraes. Também há contrato de R$ 129 milhões do Master com o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci; menções a Toffoli (viagens, relatoria inicial e sigilo); e citações a Gonet (suposta viagem do filho a Londres financiada por Vorcaro e contatos intermediados). Juristas apontam hipóteses de impedimento (cônjuge como advogada da parte) e de suspeição para preservar a aparência de imparcialidade. A OAB-PR e outras entidades de classe defenderam medidas cautelares exatamente para proteger a higidez da apuração, sem antecipar culpa.

A recusa de Simonetti em pautar o debate institucional sobre afastamento cautelar, enquanto seccionais e parte da advocacia cobram a medida, gerou críticas de incoerência. O conselheiro Tostes sustentou que discutir cautelar não viola o devido processo legal nem equivale a condenação antecipada. A OAB Nacional optou por via mais restrita: comissão de análise, pedido pontual sobre Gonet no caso concreto e acesso aos autos.


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