Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil; posse depende da disposição do governo Lula
Lula atrasa o processo
Redação Portal DPE
10 de ago de 2026

Na sexta-feira (7 de agosto de 2026), o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação do republicano Daniel Perez para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil. A votação ocorreu em bloco, junto com outras 73 nomeações do governo Trump para cargos diplomáticos e no Departamento de Estado, e foi aprovada por 51 votos a favor e 47 contrários.
Perez, de cerca de 39 anos, é presidente da Câmara dos Representantes da Flórida (equivalente a uma Assembleia Legislativa estadual). Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York, mudou-se para a Flórida na infância e é aliado próximo do secretário de Estado Marco Rubio. Ele foi indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho de 2026, passou por sabatina no Comitê de Relações Exteriores em 16 de julho e teve o nome aprovado pelo comitê em 22 de julho.
O que falta para ele assumir
A confirmação no Senado conclui a etapa americana, mas Perez só poderá assumir o posto em Brasília após o agrément (autorização formal) do governo brasileiro. Fontes e reportagens indicam que o Planalto e o Itamaraty sinalizam que a concessão desse aval provavelmente ocorrerá apenas após as eleições de outubro no Brasil, criando problemas para o governo dos EUA.
O cargo de embaixador dos EUA no Brasil está vago desde janeiro de 2025 (saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden). A missão tem sido chefiada por encarregados de negócios.
A demora brasileira na resposta elevou a tensão. No início da semana, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em medida descrita como recíproca, vinculada à falta de aprovação de Perez. O governo brasileiro criticou a ação.
Na sabatina, Perez destacou desafios de segurança no Brasil (organizações criminosas transnacionais e tráfico de drogas), a importância de minerais críticos e a competição por influência de potências externas na região, além de prioridades como proteção de cidadãos americanos, comércio, investimento e parcerias.
A aprovação ocorre em meio a relações bilaterais já tensionadas por questões comerciais (tarifas) não resolvidas pelo governo Lula.
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