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Sigilo conveniente: Lula cobra transparência total no caso Master, mas governo mantém 100 anos de sigilo sobre visitas a Vorcaro na PF

Abertura para você, sigilo para mim

Redação Portal DPE

17 de set de 2026

Sigilo conveniente: Lula cobra transparência total no caso Master, mas governo mantém 100 anos de sigilo sobre visitas a Vorcaro na PF

O presidente Lula da Silva defendeu nas redes sociais a “quebra completa do sigilo” das investigações do caso Banco Master, “doa a quem doer”. Ao mesmo tempo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Wellington César Lima e Silva, mantém sigilo de 100 anos sobre a lista de quem visitou o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, durante os três meses em que ele ficou detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, ficou na sede da PF em Brasília entre março e junho de 2026, período em que tentou negociar acordo de delação premiada. Depois das tratativas fracassarem, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a “Papudinha”.

A Polícia Federal classificou os registros de visitas — nomes, documentos, horários e vínculos — como informações pessoais sensíveis. O Ministério da Justiça confirmou o sigilo máximo ao analisar recurso apresentado com base na Lei de Acesso à Informação. A pasta argumentou que a divulgação revelaria aspectos da vida privada, vínculos familiares, afetivos, sociais ou profissionais do preso e dos visitantes, e que o interesse público não justificaria a abertura.

Houve movimento intenso de advogados, inclusive ligados a políticos do Centrão, na cela de Vorcaro. A PF teria se incomodado com o vai e vem, segundo apurações. A lista completa, no entanto, só poderá ser conhecida em 2126.

Lula, em nota publicada no dia 9 de setembro, afirmou que o povo precisa de “explicações e medidas imediatas” diante do que chamou de maior crime financeiro da história do país e da crise no Judiciário. Pediu transparência integral, citando como exemplo a Operação Spoofing, e criticou “vazamentos seletivos” que, segundo ele, afetam a disputa eleitoral.

O caso Master, que envolve suspeita de fraude bilionária com títulos sem lastro e rombo estimado em dezenas de bilhões de reais, já atingiu políticos de diferentes espectros, servidores do Banco Central e ministros do STF. A recente retirada parcial de sigilo de relatórios da PF aprofundou a crise institucional e o debate sobre quem de fato se beneficia da opacidade.

A manutenção do sigilo sobre as visitas a Vorcaro na PF, enquanto o Palácio do Planalto cobra abertura total das investigações, alimenta a leitura de seletividade na transparência defendida pelo governo.


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