Site reúne 210 atos de Moraes em linha do tempo crítica de 2019 a 2026
O arquivo “SEM ACORDÃO”, divulgado no X, organiza decisões, bloqueios e controvérsias com fonte e data; o projeto admite recorte editorial
Redação Portal DPE
16 de out de 2026

Um arquivo visual chamado “SEM ACORDÃO” circula nesta quarta-feira (7) com a proposta de reunir, em linha do tempo, decisões, bloqueios, investigações e outras questões ligadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O site é semacordo.vercel.app. A divulgação partiu do perfil @LEME12 no X, que descreveu o material como um arquivo com fonte, data, contexto e leitura por assunto.
A página se apresenta como “arquivo crítico” e “recorte editorial crítico e declarado”, com as marcas #SEMANISTIA e #SEMACORDAO. Não é um veículo de notícias nem um relatório oficial. O próprio projeto afirma que a seleção é temática e crítica, não uma cobertura geral do STF, e os conteúdos apresentados identificam-se como acusações, atribuídas às fontes que as formularam.
A tela inicial exibe um infográfico cronológico de 2019 a 2026 com 210 acontecimentos. Cada marco traz data, título, tipo, assunto, fonte e um resumo curto. Há dossiês por tema, busca por cards e uma seção chamada “Vaza Toga · fluxo STF–TSE”.
Entre os assuntos destacados estão o inquérito das fake news, o caso Daniel Silveira, os atos de 8 de janeiro, bloqueio de salários, multas, empresas, plataformas, a nomeação do delegado Fábio Shor, Filipe Martins, a minuta do 8 de janeiro e o episódio do “gesto obsceno” envolvendo um fotógrafo.
Um dos registros visíveis na linha do tempo, de 6 de julho de 2020, descreve a substituição da prisão temporária de Oswaldo Eustáquio por medidas cautelares, entre elas a proibição de frequentar determinadas redes sociais e de se aproximar da Praça dos Três Poderes. O site classifica o item como “registro oficial”.
No caso Daniel Silveira, o dossiê cobre o período de 2021 a 2026: prisão, condenação na AP 1044 à pena de 8 anos e 9 meses, graça presidencial, anulação do benefício, execução da pena e progressões de regime. No fluxo STF–TSE, o arquivo reúne mensagens e relatos já publicados pela imprensa — sobretudo a Folha de S.Paulo — sobre auxiliares de Moraes e do Tribunal Superior Eleitoral, com nomes como Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro. O site registra que Moraes sustenta que os procedimentos foram oficiais e regulares, e separa correlação temporal de prova de causalidade.
Na seção de transparência, o projeto afirma usar documentos oficiais como fonte primária para multas, bloqueios, prisões, buscas e medidas cautelares; que não transforma acusação em condenação; e que distingue fato documentado, inferência e elemento não comprovado. A posição editorial defende o exame de pedidos de impeachment pelo Senado quando houver fundamento constitucional, e responsabilidade criminal só depois de investigação, acusação, defesa e julgamento. A página principal não identifica autor, mantenedor ou contato.
O arquivo surge depois de compilação semelhante feita pela imprensa.
O ministro segue no centro das conversas. Em 2026, o caso Banco Master — contrato do escritório da esposa, Viviane Barci de Moraes, viagens em aeronave ligada a Daniel Vorcaro e mensagens atribuídas ao celular do ex-banqueiro — gerou crise interna no STF e repercussão internacional, inclusive no New York Times. Moraes negou a existência de diálogo com Vorcaro, chamou o material de “farsa montada” e de “vingança” de aliados de condenados pelos atos de 8 de janeiro. Pedidos de impeachment contra o ministro continuam no Senado. A abertura de processo exige 54 votos.
O “SEM ACORDÃO” funciona, portanto, como mais um repositório de oposição documental às decisões de Moraes: útil para localizar datas, fontes e sequências já noticiadas.
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