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Toffoli contrariado na justiça britânica. País mantém provas da Lava Jato e discorda de decisão do ministro brasileiro

A decisão britânica reforça que os tribunais ingleses não se consideram vinculados a revisões posteriores da base jurídica interna brasileira para materiais já compartilhados de forma legítima

Redação Portal DPE

28 de ago de 2026

Toffoli contrariado na justiça britânica. País mantém provas da Lava Jato e discorda de decisão do ministro brasileiro

A Justiça do Reino Unido decidiu manter o uso de provas da Operação Lava Jato no processo contra o ex-engenheiro da Petrobras Mário Ildeu de Miranda, apesar de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que determinou a nulidade do compartilhamento dessas provas com autoridades britânicas.

O juiz Mark Weekes, do Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, em despacho de 20 de maio de 2026 (divulgado recentemente por reportagens do Global Investigations Review e da organização Spotlight on Corruption), afirmou que a situação criada pela decisão brasileira é “altamente incomum”. Ele classificou o episódio como um caso em que uma autoridade judiciária do Estado requerido (Brasil) revogou, posteriormente e de forma ostensiva, o fundamento jurídico interno para o compartilhamento de assistência jurídica mútua (MLA) que, à época, havia sido legitimamente compartilhado com o órgão de acusação britânico.

Weekes determinou que o Serious Fraud Office (SFO), agência britânica de combate a fraudes e corrupção, pode continuar utilizando o material. Segundo o juiz, as provas foram fornecidas e recebidas de boa-fé e em conformidade com o tratado de assistência jurídica entre Brasil e Reino Unido. O argumento de que o uso contínuo constituiria abuso de processo não convenceu o tribunal. As eventuais consequências diplomáticas, afirmou, são questões de política a serem tratadas pelos governos, e não pelos juízes.

O processo envolve o confisco de valores em conta bancária de Miranda no Reino Unido, estimados em cerca de US$ 7,7 milhões e 700 mil libras (valores que somam aproximadamente R$ 45 milhões a R$ 51 milhões, conforme cotações e reportagens). A conta foi bloqueada em 2020 a pedido do SFO. Em 2021, após carta rogatória, a Justiça Federal de Curitiba autorizou o envio de cópia integral do processo brasileiro.

Miranda foi condenado em 2019, na 13ª Vara Federal de Curitiba, por 37 acusações de lavagem de dinheiro ligadas à Lava Jato, a uma pena inicial de seis anos e oito meses (posteriormente reduzida). A condenação foi anulada pelo STF em dezembro de 2023, sob o entendimento de que a vara de Curitiba não tinha competência para julgá-lo. Em março de 2026, Toffoli, citando as anulações de atos e provas da Lava Jato, declarou nula a autorização de 2021 para o compartilhamento com o SFO.

A defesa de Miranda, por meio do advogado Figueiredo Basto, informou que não se manifestará sobre o caso na Justiça inglesa neste momento.

A decisão britânica reforça que os tribunais ingleses não se consideram vinculados a revisões posteriores da base jurídica interna brasileira para materiais já compartilhados de forma legítima. O caso se soma a outros em que investigações ou medidas internacionais ligadas à Lava Jato seguem adiante no exterior, mesmo após anulações no Brasil.


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