TRE-PE identifica “séria suspeita de irregularidade” em campanha turística no valor de 19 milhões da Prefeitura do Recife
A campanha pode configurar desvirtuamento de publicidade institucional e possível propaganda eleitoral antecipada. Victor Marques é apontado como responsável pela autorização e manutenção; João Campos, como possível beneficiário político
Redação Portal DPE
01 de ago de 2026

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) apontou, em decisão preliminar, “séria suspeita de irregularidade” na campanha publicitária “Recife, faz gosto mostrar pro mundo”, promovida pela Prefeitura do Recife por meio da Secretaria de Turismo e Lazer.
A decisão é do desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno, relator de representação apresentada pelo diretório estadual do PSD. O partido questiona o ex-prefeito João Campos (PSB) e o atual prefeito Victor Marques (PCdoB). Segundo a representação, as peças, formalmente apresentadas como promoção turística, destacam obras e ações da gestão municipal (nova orla, pontes, parques, praças e creches) em vez de atrativos típicos como praias, gastronomia, cultura ou roteiros turísticos.
Parte da campanha foi veiculada fora dos limites do Recife, em municípios pernambucanos como Joaquim Nabuco, Paulista, Olinda, Caruaru, Vitória de Santo Antão, Pombos, Sairé e Limoeiro. O PSD alega que a divulgação em escala estadual poderia beneficiar politicamente João Campos, pré-candidato ao governo do estado, ao associar realizações ao período em que ele comandava a prefeitura.
O desembargador considerou que os elementos dos autos sustentam, em análise preliminar, a suspeita de publicidade institucional de realizações da gestão camuflada como campanha turística. Ele não determinou, neste momento, a suspensão imediata da veiculação fora da capital.
A Prefeitura do Recife e a Secretaria de Turismo e Lazer terão cinco dias para apresentar a documentação completa da campanha, incluindo contratos, planos de mídia, relatórios de execução, identificação das agências, dados financeiros e orçamentários, e a lista dos municípios onde as peças foram veiculadas. Também foi determinada a preservação integral do acervo físico e digital (incluindo metadados de fotos e vídeos) e a informação sobre eventual participação dos representados na concepção, aprovação ou divulgação das peças.
A representação questiona ainda os gastos: as campanhas da pasta de Turismo e Lazer em 2026 já teriam superado R$ 19 milhões em pouco mais de meio ano. Cita o Decreto Municipal nº 39.724/2026, que abriu crédito suplementar de cerca de R$ 2,236 milhões para a secretaria (dos quais aproximadamente R$ 2,2 milhões destinados à promoção do “Destino Recife”), e aponta possíveis remanejamentos que teriam afetado dotações ligadas a pensionistas e inativos. O TRE solicitou esclarecimentos sobre a execução desses valores e eventual impacto em recursos do regime próprio de previdência.
Para o PSD, a campanha pode configurar desvirtuamento de publicidade institucional e possível propaganda eleitoral antecipada. Victor Marques é apontado como responsável pela autorização e manutenção; João Campos, como possível beneficiário político. A decisão ainda é preliminar. O mérito será analisado após a apresentação dos documentos e das manifestações das partes. Não há conclusão definitiva sobre irregularidade até decisão final da Justiça Eleitoral.
A campanha existe e é promovida oficialmente pela Prefeitura (há materiais públicos com o slogan). As informações sobre a decisão do TRE constam de reportagens recentes (incluindo o processo 0600579-08.2026.6.17.0000 citado em uma das fontes).
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